Quarta-feira, Junho 23, 2004

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Quarta-feira, Junho 09, 2004

Parece que tudo sempre precisa de uma justificativa.
Talvez esse seja o motivo que faz muitas pessoas andarem de cabeça baixa, olhando para o chão: é fácil encontrar desculpas para as justificativas!
Não podemos fazer somente o que queremos o tempo todo e não dá para ter tudo na vida, não de uma vez só... talvez existam coisas que tenham que ser perdidas para ganharmos outras, como se fosse preciso perder para ganhar. Ressurgir.
Reinventar-se está na moda. Mas as coisas continuam se repetindo em muitas vidas, muitas vezes, sem razão, sem mudança. Trocar as atitudes não é nada. Mudar os pensamentos é que é o desafio. Porque pensar a mesma coisa de antes e fazer coisas novas hoje é apenas contradição passageira, não dá para esquecer o que fomos e para mudar é preciso aceitar. Não esqueça os seus sonhos... não fique fingindo estar feliz com as coisas dos outros ou com o que você tem e não te importa. Ou mudamos nossos desejos e expectativas, ou temos que procurar concretizá-las! Caso contrário, não passa de perda de tempo...

Domingo, Maio 30, 2004

It really doesn´t matter how much you care about some things, many simply couldn´t care less. But it doesn´t mean that you should forget what you love, because all you´ll ever have is your faith in life.

Sexta-feira, Maio 07, 2004

Necrológio dos desiludidos do amor
Carlos Drummond de Andrade

Os desiludidos do amor
estão desfechando tiros no peito.
Do meu quarto ouço a fuzilaria.
As amadas torcem-se de gozo.
Oh quanta matéria para os jornais.

Desiludidos mas fotografados,
escreveram cartas explicativas,
tomaram todas as providências
para o remorso das amadas.
Pum pum pum adeus, enjoada.
Eu vou, tu ficas, mas os veremos
seja no claro céu ou no turvo inferno.

Os médicos estão fazendo a autópsia
dos desiludidos que se mataram.
Que grandes corações eles possuíam.
Vísceras imensas, tripas sentimentais
e um estômago cheio de poesia...

Agora vamos para o cemitério
levar os corpos dos desiludidos
encaixotados completamente
(paixões de primeira e de segunda classe).

Os desiludidos seguem iludidos,
sem coração, sem tripas, sem amor.
Única fortuna, os seus dentes de ouro
não servirão de lastro financeiro
e cobertos de terra perderão o brilho
enquanto as amadas dançarão um samba
bravo, violento, sobre a tumba deles.

Segunda-feira, Maio 03, 2004

Por algum tempo, as coisas podem lhe parecer difusas, seus esforços podem parecer não levar a lugar algum, mas logo você se encontrará e verá o sentido de sua vida cunhado pelas suas escolhas. Confie em sua força.

Quinta-feira, Abril 22, 2004

I need one light.
But I know you can´t give me
So, I have to find.
And I will...

Sábado, Abril 10, 2004

A Dove Is Not a Bird
For Lynda Hull (1954-1994)



A dove is not a bird. You can make the argument in reverse, but it's not
as convincing because it lacks those tangible elements by which we

measure the veracity of anything. An argument is not a dove, but you
can make a case for it — as if you were building a cage with gaps much

wider than the birds you intend to catch and keep. Even if you can argue
the large bones of night into submission, the city will follow you every-

where: the city is a loop of darkness. Even at dawn — the throat parched
and the repetition of the last few thoughts dulled — city streets are the halls

of the great indoors: this island-as-idea shining inside you. That's what
you've come for. That's why the myth became a theory dovetailing into

fact. You can say a bird will not fly without air, all the conviction in your
breath leaving you the way the soul might leave those who still believe

in the possibility of a soul. Like a muddy fact. I make my way to the place
where you're no longer necessary, but the matchbook of memory strikes

another one and you're still holding your essential smile. If you trust my
reconstruction of the scene, I can prove that you looked away each time

you smiled — as if something in your mouth had taken flight. If you trust
your eyes, you know we never look away: our gaze is always fixed on

a target; it's the night of this anonymous city that shifts incessantly. This
new bandit making tracks with one foot, covering them with the other.


Dionisio D. Martínez

Quarta-feira, Março 31, 2004

Todo homem é uma ilha
Todo homem é uma ilha


Sábado, Março 27, 2004

O Peso do Azul

O céu é azul, o mar é azul... tão grandes, imensos.
Por vezes não posso suportar nem ao menos imaginar. Há coisas que precisam ser feitas, as outras podem esperar.
Ah, se eu tivesse uma espada... Parece que aqueles que as possuem não sabem como usar, excetuando uns poucos.
Duas asas de nada valem ao falcão para vencer a solidão. A lâmina quando cai sobre a carne inocente não tem honra, como não tem virtude o homem que utiliza o poder para criar sofrimento alheio sem necessidade.

Ah, se eu pudesse... se eu pudesse...
Tomava a tua espada e cortava tuas asas, pois não sabes honrar os céus, donde vem todo o azul. Continuar como um medíocre, tateando sob a luz do Sol, não pode ser admitido em um homem. Não há vergonha maior do que se vangloriar do que é vicioso, sem virtude. Vencer a si mesmo e se aperfeiçoar é o objetivo elevado que devemos almejar; se essa meta não incluir bens para os outros corre-se o risco de terminar vazio de significado qualquer esforço.

Poucos aprendem a chefiar. Não são os gritos nem o terrorismo psicológico.
O sucesso de equipes é resultado de otimismo, comprometimento. E o comando, segundo diziam, é o espelho da tropa. O último imperador romano sofreu desse mal, pelo que é sugerido pelos fatos. E o pior é que se não aprendemos com nossos próprios erros, jamais poderíamos aprender observando os erros dos outros no passado. Ou seja, se somos tão estúpidos assim, nada resta além do sofrimento e a eterna esperança renovada de um mundo melhor para que possamos ficar esperando e esperando mudanças que nunca virão ao acaso por falta de pessoas empenhadas.

Birthday Song

The canary yellow envelope at mail call
aroused the other seminarians,
“What’s the occasion?”
“Ya got me,” I lied and peeked in at
two Mallards landing
on a Blessed Virgin blue
pond with a largemouth bass
leaping to greet them
under the swirling script
in the sky—
Happy Birthday
To A Wonderful Son—
the only reminder that
tomorrow, just another
day in the sem,
was my birthday,
the seventh since any celebration
with Mom and Sarah, my sister,
the seventh away from Winthrop Street
in Detroit, half a continent west,
my third birthday
with my new family
the Congregation of the Holy Ghost
whom I adopted with vows of
poverty, chastity, obedience
a family but
no gifts, not even a handkerchief,
no three-layer cake
lathered with angel-white icing,
lipstick-red roses,
first slice for the birthday boy,
no candles, family, friends to sing
Happy Birthday to You

Leon Markowicz

Quinta-feira, Março 25, 2004

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A LIBERTAÇÃO DA BORBOLETA

A doutora Elisabeth Kübler-Ross, psiquiatra de origem suíça, especializou-se em doentes terminais.
Assistindo centenas de crianças que estavam morrendo, ela nos diz que devemos aprender a ouvir.
Ouvir o que a criança expressa verbalmente. E mesmo aquilo que ela transmite pela linguagem não verbal.
Crianças terminais, conta ela, sabem quando vão morrer. E precisam de algum atendimento especial. Atendimento que só o amor incondicional pode dar.
Falando de sua experiência, narra que conheceu um menino que aos nove anos se encontrava à beira da morte.
Portador de câncer, desde os 3 anos de idade, Jeffy nem conseguia mais olhar para as agulhas de injeção.
Tudo era doloroso para ele. No hospital, esperava a morte. O médico sugeriu que se iniciasse uma nova quimioterapia.
Mas o menino pediu: "quero ir para casa, hoje."
Os pais optaram por lhe satisfazer a vontade.
Quando Jeffy chegou em casa, pediu ao pai que descesse da parede da garagem a sua bicicleta.
Durante muito tempo, seu sonho tinha sido andar de bicicleta. O pai a comprou, mas por causa da doença ele nunca pode andar.
A dificuldade era imensa, até mesmo para se manter em pé, então Jeffy pedalou a bicicleta com o amparo das rodinhas auxiliares.
Disse que iria dar uma volta no quarteirão e que ninguém o segurasse. Ele desejava fazer aquilo sozinho.
A médica que o acompanhava, a mãe e o pai ficaram ali, um segurando o outro.
A vontade era de segui-lo.
Ele era uma criança muito vulnerável. Poderia cair, se machucar, sangrar.
Ele se foi. Uma eternidade depois, ele voltou, o homem mais orgulhoso que se possa ter visto um dia.
Sorria de orelha a orelha. Parecia ter ganho a medalha de ouro nas olimpíadas.
Sereno, pediu ao pai que retirasse as rodinhas auxiliares e levasse a bicicleta para seu quarto. E quando seu irmão chegasse, era para ele subir para falar com ele.
Queria falar com o irmão a sós. Tudo aconteceu como ele pediu.
Ao descer, o irmão recusou-se a dizer aos pais o que haviam conversado.
Uma semana depois, Jeffy morreu. E, na semana seguinte, era o aniversário do irmão. Foi aí que o menino contou o que tinha acontecido naquele dia.
Jeffy dissera a ele que queria ter o prazer de lhe dar pessoalmente sua amada bicicleta.
Mas não podia esperar mais duas semanas, até o aniversário dele, porque então já teria morrido.
Por isso, a dava agora. Entretanto, havia uma condição: que ele nunca usasse aquelas rodinhas auxiliares, próprias para crianças bem pequenas.
Quando os pais souberam de tudo, sentiram muita tristeza. Uma tristeza sem medo, sem culpa, sem lamentar.
Eles tinham a agradável lembrança do filho dando a sua volta de bicicleta pelo quarteirão.
E mais do que isso: o sorriso feliz no rosto de Jeffy, que foi capaz de conseguir sua grande vitória em algo que a maioria encara como comum.

Terça-feira, Março 23, 2004

"Eu não preciso dos padres do mundo, porque
não preciso do Deus do céu. Isto quer dizer, meu
rapaz, que tenho meu deus dentro de mim."
(Eça de Queirós - O crime do padre Amaro)

Quinta-feira, Março 18, 2004

Por vezes somos idealistas demais, o que pode n?o ser exatamente um defeito. O problema ? que o perfeccionismo pode ser frustrante e, pior ainda, pode atingir resultados inferiores ao que poder?amos conseguir se fossemos mais realistas.
Ser realista consiste em buscar fazer o melhor daquilo que est? ao nosso alcance. Ser idealista ? mais ou menos como buscar a perfei??o que n?o existe: perde-se muito tempo discutindo, imaginando e tra?ando planos que n?o poder?o ser cumpridos dadas as condi??es atuais.

Pode parecer jogo de palavras. Ent?o, vamos colocar em termos pr?ticos: o mundo n?o ? perfeito, os conceitos podem n?o ser todos verdadeiros, novas explica??es mais completas podem surgir, coisas podem mudar, pessoas podem responder diferentemente aos est?mulos externos etc. Resta ent?o apelarmos para a coer?ncia em nossas vidas, procurando melhorar um pouquinho a cada instante (somente um pouquinho, sem exageros!). O que a vida nos d? ? aquilo que pedimos e nada mais; enquanto n?o soubermos exatamente o que desejamos, nada obteremos. Portanto, n?o idealize demais, n?o fique apenas divagando, visto que o mundo ? um pouco imperfeito mesmo. Os planos precisam sair do papel! Podem surgir problemas com os quais n?o cont?vamos, podemos nos deparar com obst?culos, mas a vida continua e n?s precisamos caminhar para frente. Assim, cabe-nos utilizar o que temos e o que somos da melhor maneira poss?vel. Almejar sempre a perfei??o, mas procurar implementar um pouco de cada vez, com calma, com perseveran?a e, acima de tudo, com vontade!

Terça-feira, Março 16, 2004

[The doubt of future foes exiles my present joy]
Queen Elizabeth I (1533–1603)


The doubt of future foes exiles my present joy,
And wit me warns to shun such snares as threaten mine annoy;
For falsehood now doth flow, and subjects' faith doth ebb,
Which should not be if reason ruled or wisdom weaved the web.
But clouds of joys untried do cloak aspiring minds,
Which turn to rain of late repent by changed course of winds.
The top of hope supposed the root upreared shall be,
And fruitless all their grafted guile, as shortly ye shall see.
The dazzled eyes with pride, which great ambition blinds,
Shall be unsealed by worthy wights whose foresight falsehood finds.
The daughter of debate that discord aye doth sow
Shall reap no gain where former rule still peace hath taught to know.
No foreign banished wight shall anchor in this port;
Our realm brooks not seditious sects, let them elsewhere resort.
My rusty sword through rest shall first his edge employ
To poll their tops that seek such change or gape for future joy.

Você não sente ou não vê, meu amigo, mas estou certo em dizer: cedo ou tarde, mudança acontecerá contigo. Porque o velho e antigo já foram futuro e sonho. O que tenho nas mãos só eu sei, porque depende apenas dos olhos de meu coração, e o que guardarei nos bolsos virá dos meus desejos, se perseverantes. O passado é apenas uma roupa que não serve mais, enquanto o futuro é o filho, menino ou menina, que não sabemos se vamos ter... E, ainda assim, eu poderia te explicar o movimento dos planetas e analisar os acontecimentos passados como se eles fossem tão previsíveis! (O que de fato não deixa de ser uma verdade, pois todo evente realizado é tido como certo, o problema consiste em não sabermos nada antes da realização!). O que não posso explicar é o presente, talvez por esta peculiaridade ele devesse merecer maior atenção minha...

Terça-feira, Fevereiro 17, 2004

I´ll tell you what I have in my favor: courage of the youth!

Sexta-feira, Fevereiro 13, 2004

"Meu conhecimento é o único tesouro que possuo.
Embora infinitamente pequeno,
quando comparado às trevas,
é a minha luz, minha única luz."
Carl Gustav Jung

Quinta-feira, Fevereiro 12, 2004

Toda a vida se divide entre o trabalho e o repouso, a guerra e a paz, e todas
as nossas ações se dividem em ações necessárias, ações úteis ou ações
honestas. Devemos estabelecer entre elas a mesma ordem que entre as partes
de nossa alma e seus atos, subordinar a guerra à paz, o trabalho ao repouso e o
necessário ou útil ao honesto. Um legislador deve levar tudo isso em
consideração ao escrever suas leis; respeitar a distinção das partes da alma e
de seus atos; ter especialmente em vista o que há de melhor, assim como o fim
que deseja alcançar; conservar a mesma ordem na divisão da vida e das ações;
dispor tudo de tal maneira que se possa tratar dos negócios e guerrear, mas
que se prefira sempre o repouso aos negócios, a paz à guerra, e as coisas
honestas às coisas úteis e até às necessárias. É de acordo com este plano que
se deve dirigir a educação das crianças e a disciplina de todas as idades que
dela precisam.